Artesanato seg, 08 mar, 2010
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Folclore = Folk + Lore. Povo + Saber… É o campo da ciência sócio-cultural que estuda o que o povo diz, faz e sente. Um dos campos de estudo do folclore é o artesanato.
Profunda necessidade de expressar, de solidificar fora de sí o que se passa nos recônditos interiores, seria a descrição do principal sintoma desta enfermidade que atinge algumas pessoas e as atormenta até que externalizem suas almas em caixinhas, pinturas, vasos ou costuras. Não há cura conhecida, mas diz-se que com a prática constante, os sintomas não incomodam tanto.
Minha linda maravilhosa companheira é afligida constantemente por esta enfermidade e desavergonhadamente manifesta seus sintomas através das mais lindas criações, algumas das quais ela expôe em seu cyber-lugarzinho….
Travessia sex, 02 abr, 2010
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Hora após hora, sentia a fria lâmina cortando através de sua pele.
Ouvia as perguntas gritadas de seu algoz enquanto lutava contra a dor que o invadia em ondas ameaçando sua consciência e sanidade.
Tentava se lembrar das meditações que fazia tempos atrás, antes que a loucura tivesse tomado conta de sua terra. Antes que todos fossem suspeitos. difícil se lembrar no meio de tantos gritos, tanta dor.
Não precisava fechar os olhos, haviam sido vazados. Ainda assim a cada corte, a cada grito via uma explosão de luzes enquanto sentia suas têmporas explodirem em dor e se perguntava como podia estar vendo qualquer coisa.
Se lembrava desta sensação de alheamento, de ser etéreo que sempre atingia ao meditar. Sabia que devia estar conseguindo, pois se sentia mais distante, menos presente. Não ouvia os gritos com tanta nitidez agora.
Achava engraçado não sentir raiva ou ódio de seu algoz. Tanto já se havia passado, qual seria o sentido? Nada se resolveria e no fim ele era mais uma vítima, ainda que de si mesmo.
Começara a prestar atenção nas luzes de sua agonia, na forma como mudavam e se intensificavam, como pareciam ter vida. A dor se tornava sua única companhia e seu maior interesse, em sua busca de não senti-la com tanta intensidade. Não sentia mais nem ouvia. Mas estranhamente via todos os detalhes de sua companheira, a luz de suas têmporas. Reparava nos sorrisos de seus companheiros de um passado que parecia cada vez mais distante e sem sentido que lhe sorriam convidativamente.
Seguia adiante com seus amigos, sem entender direito como podia vê-los e como podia ir a qualquer lugar se estava amarrado, mas sem na verdade se preocupar demais com isso. Sentia grande alegria e isso parecia-lhe importar mais.
Anos luz dalí, o grito de ódio do carrasco rasgava os ares ao constatar o óbito de sua vítima, seu triunfo final.
Falling… ter, 16 mar, 2010
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Caindo caindo… sem ver nada ao meu redor… Um abismo ou algo do tipo… Não sei direito como cheguei alí. Só ouvia os risos como se fossem de escárnio, provocadores, violentos, difusos. E a voz. Sim, havia a voz. Não dizia muito, era suave. Dizia apenas “Tenha fé” num tom monocórdio, sem muita convicção, ou assim me parecia. Enquanto caia, sem nunca esbarrar em nada, pensava no sentido daquilo tudo. Veja bem, lembro apenas de ter deitado para dormir e de repente ouvia os risos, sentia o vento fustigando meu corpo, me fazendo girar sem parar, descontrolado, enquanto era projetado naquela escuridão que parecia não ter fim. Enquanto me questionava mentalmente sobre como ter fé naquela situação, ou mesmo o que diabos era fé, sentia como se fosse ficando mais e mais distante de tudo que eu conhecia. Mergulhava mais e mais no abismo que parecia ser o da minha própria arrogância sem saber exatamente como fazer parar aquele mergulho involuntário. Em meio a todos os questionamentos e medos, lembrei-me de minha filha, estendendo os bracinhos para mim e pedindo colo… Fé… Seria algo parecido com isso? Pensando, senti a onda de confiança me invadir mais e mais enquanto minha monótona companheira vocalizava agora: “Voe!” Acredito que em algum outro momento achasse a idéia absurda, mas tentei. Sem pensar. Sem questionar. Apenas voei. E no momento em que comecei meu vôo, a luz invadiu o abismo que era minha própria humanidade e transmutou as sombras de minha suposta sabedoria. Não podia ver, tamanho o brilho que agora se instalava, mas não precisava. Eu era visão… Tudo era.
Eu apenas sabia.
E voava.
Fé.
Desencontros…. sex, 12 mar, 2010
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Tem pessoas que cruzam nossas vidas, representam determinado papel e se vão para sempre… Deixam a gente com raiva, com saudades, querendo mais ou sem querer ver nunca mais, tendo apenas em comum o sentimento de que nunca voltaremos a revê-las. O problema é que a gente acha que entende, que controla a vida. Esquece que tem uma porção de coisas que simplesmente não dependem de nós. Muitas variáveis mesmo. O ponto é que as vezes, contra todas as probabilidades, as vezes elas voltam. Voltam a cruzar nossas vidas, a percorrer trechos da mesma estrada, compartilhar caminhos… É como se a vida te desse uma chance de fazer diferente, de estender a mão, de ser mais amigo, mais humilde, mais humano. As vezes é breve e fugaz como um raio de luz numa noite eterna de tempestade. As vezes não. As primaveras que se foram me ensinaram que não temos como saber se será breve ou não. Isso é apenas mais uma das variáveis que não controlamos. O que controlamos efetivamente é como agiremos, quem seremos. Conviveremos com nossas escolhas. Serão nossas eternas companheiras nos mais solitários momentos de nossas existências. Abaixo a cabeça. agradeço ao Sagrado arquiteto dos universos pela oportunidade de caminhar, de sorrir para meu irmãos de humanidade. Obrigado pai, por todos os desencontros. O dia amanhece trazendo novas oportunidades a todos. Novos caminhos, encontros e escolhas. Uma lágrima escorre devagar. Agradeço. Sorrio. O tempo continua inexorávelmente inexistente. Obrigado.
A Estrada. sex, 12 mar, 2010
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Lindo mesmo é o poema de Robert Frost, “The Road not Taken”. Não vou publicar por aqui, afinal, já está publicado em incontáveis livros e sítios da internet Brasileira, inclusive com traduções das mais diversas gradações de competência. Queria falar apenas da idéia. A idéia básica do poema é a das escolhas que temos na vida. As escolhas que fazemos em nosso dia a dia. O poeta discorre sobre nossas escolhas comparando-as a estradas, a encruzilhadas de nossas vidas. Através de lindas metáforas vai nos falando da importância de fazermos escolhas menos convencionais e mais importante ainda, nos mostra que devido a forma que nossas vidas avançam, devido a como o tempo passa e como nos modificamos devido a cada escolha que fazemos, cada estrada que escolhemos seguir, nunca ou muito raramente retornamos a uma escolha…. Lindo…. Simplesmente lindo….
Assincronia… sex, 12 mar, 2010
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Estava aqui pensando no quanto desperdiçamos oportunidades. No eterno assincrono da vida. Tantas são as oportunidades que se apresentam a nós, porém em momentos em que não estamos preparados para reconhecê-las. Apesar disso, continuamos passando pela vida e atropelando estas oportunidades na cega crença de que nos faltam oportunidades para sermos felizes. Talvez a resposta seja que não temos ainda maturidade para reconhecer o que realmente acabaria por nos tornar felizes. Perdemos tempo e energia seguindo por estradas que não nos levam aonde queremos ir.. Aparentemente, não queremos ir a roma, já que todas as estradas vão para lá, ou assim dizem os mais cultos.. Talvez seja uma questão de avaliar o que poderíamos fazer para gostar mais do que temos ao invés de procurarmos ter aquilo que achamos que gostaremos de ter…
Pare-ser ??? sex, 12 mar, 2010
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Todos parecem, mas não são… O ser não é.. Como em Górgias. Fato é que o esforço é voltado para fora, no sentido de estabelecermos uma imagem que provoque nos outros algum tipo de reação que julgamos ser de nosso proveito. Os carros que conduzimos, as roupas que escolhemos vestir, são escolhidos de acordo com o que achamos que nos dará o melhor status, a melhor imagem social diante dos outros… Sartre em sua descrição do inferno, nos diz que o inferno são os outros. Se o inferno for estarmos expostos a reprovação e ao julgamento constante de outros como nós, então deveríamos nos perguntar se já não estamos a algum tempo habitando as profundezas do mesmo, senão estamos construindo cada uma de suas câmaras, dia após dia, aqui mesmo, no mundo material em que vivemos. Mas se somos assim tão hábeis ao forjar o nosso inferno, e o dos outros, caberia perguntar o motivo dessa escolha que fazemos diariamente, de vivermos infernizando a outros e a nós mesmos. Poderíamos fazer melhor escolha? Ao querermos parecer, ao invés de ser, adotamos constantemente modelos de comportamento, que mesmo de forma inconsciente nos são socialmente impostos. O motivo de aceitarmos tão passivamente tal imposição reside muitas vezes em não analisarmos aquilo que nos é apresentado pela sociedade. O não questionamento dos valores atuais nos leva a cega aceitação. Uma pergunta: Hoje em dia, quando uma adolescente que não se enquadre nos padrões de beleza e magreza atuais, abre uma revista, assiste a um filme ou a uma novela e constata que as heroínas, as mocinhas, seguem um padrão de beleza que é diferente do que ela vê no espelho, não sendo acostumada ao questionamento, o que pensa? Como pode encontrar seu lugar, seu valor no mundo, se sua imagem não tem lugar nas mídias atuais? Iniciaria então neste momento a busca pelo parecer, abrindo mão de seu próprio ser? E quanto ao jovem criado em zonas marginais de nossa sociedade, ao constatar que sem carros novos, tênis ou roupas da moda não tem ao menos voz na sociedade, posto que esta é a idéia socialmente veiculada por mídias formais e informais, como reaje? Passa a almejar estas posses, esta imagem, abrindo mão do fato de que é um ser humano único, com habilidades e qualidades igualmente única? Então, o que resta?
Hora do Planeta. seg, 08 mar, 2010
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Sem Grandes discursos… Just do it…
